sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

mais uma dose.

Estava tão calor que ela já estava a ponto de desmaiar, seus dedos estavam doendo de tanto tentar aquela musica antiga do guns and roses no violão , que já estava pra lá de desafinado com várias tentativas frustradas, sua cabeça latejava , ela estava tão cansada que cairia e dormiria se não tivesse tomado tantas doses de vodka pura , sem gelo e sem limão e tinha deixado ela , não embriagada , mas dispersa . A vodka descia pela sua garganta como um vergalhão arranhando sua faringe, esôfago e todas aquelas partes que ela aprendera na escola há um tempo, e ela sabia que já não agüentava mais uma dose então iria chorar feito um bebe, porque essas vodkas são umas filhas da puta, te ajudam mas também te trazem uma melancolia depois de um certo tempo .


O cinzeiro já estava cheio de pontas e cinzas , assim como o chão e sua cama , na mão mais um cigarro, que já estava no fim antes dela acender outro com o mesmo. Certas horas não tinham companhia e o cigarro sempre foi seu melhor amigo, sempre a ajudou superar acompanhado de uma boa dose de algo alcoólico ou um chá de coca talvez, sabia que não era isso que ela queria pra ela, ela preferia continuar no seu curso de teatro e fazer mais algumas propagandas inúteis que te fariam a pop da escola, e faria sua mãe contar para todas as vizinhas invejosas e mal-amadas a ver tal canal tal hora que a filha linda & maravilhosa & fútil dela estaria fazendo a propagando da loja mais banal que existe, mas não, ela acendia cigarros compulsivamente e dava vontade de escrever , sentia saudade de uma certa menina também , logo ela que a fazia tão mal , olhou pro cigarro e lembrou dela , logo dela que a julgava tanto, mas que ela sentia um apreso imenso - Talvez um dia ela descubra que não é isso que ela quer pra própria vida , talvez um dia , ela veja que ela é realmente maluca e que todas as pessoas tão certas , talvez fumar tanto faça realmente ela passar mal e ter um ataque cardíaco aos dezessete , e ela entre pra fila dos incrédulos que precisam de algo após a morte porque vagar por ai seria tortura demais, e ela não agüentaria , só que sei lá, ela não tem porra de perspectiva de futuro nenhum , então ela acendeu mais um cigarro , deitou-se sobre o livro que ganhara e estava lendo ansiosamente, lera uma certa mensagem no celular e dormiu , porque dormir fazia ela esquecer , e esquecer de tudo era o que ela(eu) mais precisava naquele momento.



Mas não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica a não ser continuar , tem coisa mais autodestrutiva que insistir sem fé alguma ? (...) ’ – morangos mofados – pág 28.

4 comentários:

  1. é....meu velho e bom amigo , cigarro...

    gostamos um do outro...uma afinidade incrível!!!

    Excelente trecho que puseste abaixo...sempre Caio F.

    Sucesso em seu construção, ok?

    Não se destrua, fumar ñ irá te destruir, só vc mesmo pode fazer isso mentalmente ou amorosamente!!!

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  2. 'Não adianta olhar pro lado se você quer seguir em frente'

    texto tão forte quanto mais uma dose.
    tão profundo quanto o ar desse cigarro entranhado nos cabelos...
    gostei!

    ;D

    beijo

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  3. eu simplesmente adoro o jeito como usa as palavras,

    cigarros e bebidas temos que parar urgentemente !
    hahaha

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  4. Palavras fortes, que me dão um certo receio, a cima de tuudo verdadeiras, gosto disso, pessoas que escrevem de forma sincera
    as vezes esquecer é uma solução provisória.. só provisória.. enquanto a crise não passa!
    bjo :)

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