quinta-feira, 21 de abril de 2011

siren



Apoiou a cabeça no travesseiro vazio e sujo e, ficou, durante muito tempo, pensando. Seu coração batia com mais força, a alma torturada. Por fim, sentiu-se sufocada, nessa estreita cela amarelada que mais parecia uma mala ou um armário. Não enxergava nada, além do que não via. Era preciso mais força, mais força, mais força... estava cansada. Cansada desse eterno vir a ser que nunca era, nunca se tornava, de tentativas vãs. E o sonho, ah, esse era tão belo! Era bonito, mas não era real. O real nem sempre tem tanta beleza, tantos ardis, tanto calor, ela sabia bem. Foi por pouco, por muito pouco. E por isso, foi-se tudo, quase tudo! E então ela acordou assustada com os pingos de chuva que invadiam a janela e molhavam seu corpo sobre a cama. Apesar de sentir aquelas gotas frias entrarem como facadas na pele, não se moveu. Afinal, era uma coisa diferente. Há meses suas noites eram rotineiras e monótonas, deixar o corpo ser molhado pela chuva era uma aventura.

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